quarta-feira, 13 de dezembro de 2017


Ficha de Aplicação de Conhecimentos – Funções sintáticas
 
1. Relembra as funções sintáticas estudadas:
 

1. Sujeito
6. Complemento oblíquo
2. Predicado
7. Complemento agente da passiva
3. Vocativo
8. Predicativo do sujeito
4. Complemento direto
9. Modificador
5. Complemento indireto
10. Modificador do nome

 
2. Lê, atentamente, o seguinte excerto do conto “A Palavra Mágica”, de Vergílio Ferreira.

Ora um domingo, o Silvestre ensarilhou-se, sem querer, numa disputa colérica com o Ramos da Loja. Fora o caso que ao falar-se, no correr da conversa, em trabalhadores e salários, Silvestre deixou cair que, no seu entender, dada a carestia da vida, o trabalho de um homem de enxada não era de forma alguma bem pago. Mas disse-o sem um desejo de discórdia, facilmente, abertamente, com a mesma fatalidade clara de quem inspira e expira. Todavia o Ramos, ferido de espora, atacou de cabeça baixa:

            ‒ Que autoridade tem você para falar? Quem lhe encomendou o sermão?

            Homem! ‒ clamava o Silvestre, de mão pacífica no ar. ‒ Calma aí, se faz favor. Falei por falar.


                                                                                                             Vergílio Ferreira, “A palavra mágica"
 
2.1. Identifica a função sintática das expressões sublinhadas, tendo em conta o contexto em que ocorrem. Preenche a tabela com o número da função sintática listada no quadro acima.

 

A. um domingo
 
B. numa disputa colérica
 
C. bem pago
 
D. disse-o sem um desejo de discórdia
 
E. abertamente
 
F. ferido de espora
 
G. de cabeça baixa
 
H. lhe
 
I. o sermão
 
J. Homem
 
K. o Silvestre
 
L. Falei por falar
 

 

2.2. Classifica como apositivo ou restritivo o seguinte modificador do nome:

 o trabalho de um homem de enxada não era de forma alguma bem pago.”
 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Visão crítica do romance

VISÃO CRÍTICA  do Memorial do Convento

Tendo como pretexto a construção do convento de Mafra, Saramago, adoptando a perspectiva de um narrador distanciado do tempo da diegese, apresenta uma visão crítica da sociedade portuguesa da primeira metade do século XVIII. É neste sentido que Memorial do Convento transpõe a classificação de romance histórico, uma vez que não se trata de uma mera reconstituição de um acontecimento histórico, mas é antes um testemunho intemporal e universal do sofrimento de um povo sujeito à tirania de uma sociedade em que só a vontade de el-rei prevalecem o resto é nada (XXII).
Logo desde o início do romance é visível o tom irónico e, até mesmo, sarcástico do narrador relativamente à hipotética esterilidade da rainha e à infidelidades do rei. Esta atitude irónica do narrador mantém-se ao longo da obra, denunciando o comportamento leviano do rei, a sua vaidade desmedida e as promessas megalómanas de que resulta o sofrimento extreo de homens que não fizeram filho nenhum à rainha e eles é que pagam o voto, que se lixam (XIX).
O clero, que exerce o seu poder sobre o povo ignorante através da instauração de um regime repressivo entre os seus seguidores e que constantemente quebra o voto de castidade, também não escapa ao olhar crítico e sarcástico do narrador. A actuação da Inquisição que, à luz da fé cristã, manipula os mais fracos é de igual modo criticada ao longo do romance, nomeadamente, através da apresentação de diversos autos-de-fé e uma crítica às pessoas que dançam em volta das fogueiras onde se queimaram os condenados.
Assim, são sobretudo as personagens de estatuto social privilegiado o alvo da crítica do narrador que denuncia as injustiças sociais, a omnipotência dos poderosos e a exploração do povo – evidenciada nas miseráveis condições de trabalho dos operários do convento de Mafra; ao mesmo tempo que denota empatia face aos mais desfavorecidos, cujo esforço elogia e enaltece.
A crítica estende-se, ainda: à Justiça portuguesa que castiga os pobres e despenaliza os ricos, ao facto de se preterir os artífices e os produtos nacionais em defesa dos estrangeiros, bem como ao adultério e À corrupção generalizados.
Em suma, Memorial do Convento constitui acima de tudo uma reflexão crítica – ao problematizar temas perfeitamente adaptáveis à época contemporânea do autor – conducente a uma releitura do passado e à correcção da visão que se tem da História.



Inês de Castro

Morte de Inês-Estrutura 1)   Considerações iniciais Est.118-119: introdução: localização temporal da acção e apresentação do caso da ...