quarta-feira, 13 de abril de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
correção do teste
A
O poema tem como tema o apelo ao Mestre da Paz, para que
venha reerguer a pátria e desenvolve-se de forma linear, dado que a primeira estrofe
funciona como introdução, onde se endereça o pedido àquele que no momento jaz
adormecido, inconsciente, ainda, do destino que lhe está reservado. Na segunda
estrofe, o apelo continua e começam a desvendar-se as razões que lhe estão
subjacentes: a pátria espera que “ele” a venha erguer, isto é, o povo sofredor
exige dele a “suprema prova”, que o fará atingir a “Eucaristia Nova”, ou seja,
a glória de outrora, a projeção da nação. Na última estrofe, a exortação ao
“Mestre da Paz” prossegue, mas aqui é percetível a recompensa reservada ao
“Galaaz” que usou a espada ungida, cuja “luz” permitirá à nação revelar-se.
2. O tom exortativo estende-se por todo o poema,
traduzindo a angústia e a aflição do sujeito poético que, através das
apóstrofes e do imperativo, reclama a presença do predestinado (D. Sebastião),
de modo a que a glória do povo português possa ser restabelecida e a nação saia
do estado de inércia em que se encontra.
4. O apelo resulta não só do estado
decadente da nação mas também porque o povo português continuava a depositar a
sua fé, a sua esperança, em D. Sebastião, vendo nele o salvador, o redentor da
pátria adormecida, apenas envolta em glórias antigas que urgia recuperar.
B
4. O espaço
representado é o “Horizonte”, caracterizado como uma paisagem à beira-mar
(“pinhal verde”, “naquele pedaço de mar”, “areais”). É um espaço associado a
dois tempos: o presente, captado pelos sentidos, e o passado, evocado pela
memória; surge descrito como vazio, local de finitude e de esterilidade
(“Horizonte vazio”, “linhas vazias… e gastas”, “Árvore morta sem fruto”),
traços estes que marcam esse lugar no presente. Porém, no passado, foi cenário
de festa e de sonho, mas esse tempo e esse espaço estão irremediavelmente
perdidos.
5. Nas terceira e quarta estrofes destaca-se a “fabulosa festa” de que o
“Horizonte” foi palco e, por isso, todo o léxico o confirma, nomeadamente
palavras como “bailando”, “passos” de baile, “cantava”; é o espaço onde a noite
e a claridade encenam uma festa de luz e de movimento, de silêncios e de canto,
onde a plenitude “naquele pedaço de mar ao longe” se alcança, onde “ardia / O
chamamento infinito dos espaços.”. Deste modo, esta evocação confere ao passado
a dimensão de um tempo eufórico para o “eu”, justificando-se, por isso, a utilização
de vocabulário com valor semântico positivo.
quinta-feira, 3 de março de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
O Encoberto
O Encoberto
A terceira e última parte da
Mensagem situa-se já posteriormente ao desastre de Alcácer Quibir (1578), que
é, segundo Pessoa, o primeiro entre os três grandes fatores da decadência de
Portugal; os outros dois são a desnacionalização com a implantação de um
sistema monárquico estrangeirado (1820) e a mesma desnacionalização, que Pessoa
considera degenerescência, com a implantação da República (1910). É, por isso,
muito significativo, neste contexto, que esta última parte do poema se chame O
Encoberto, porque se trata do encobrimento gradual do próprio Portugal. O poeta
começa por referir os Símbolos do Encoberto, o primeiro dos quais é D.
Sebastião, do qual diz que, apesar de ter caído no areal, ter morrido nessa
desventura, aquilo que importa é que se criou um símbolo, um ideal que era mais
do que o homem, o rapaz que ali ficou jazendo. E, assim, “É O que eu me sonhei
que eterno dura, / É Esse que regressarei.” É esta a primeira metamorfose do D.
Sebastião-homem em D. Sebastião-símbolo. O poeta cruza depois o sebastianismo
com o mito do Quinto Império:
Grecia, Roma, Christandade,
Europa – os quatro se vão Para onde vai toda idade.
E pergunta depois, desafiando o
leitor:
Quem vem viver a verdade Que
morreu D. Sebastião?
Passados os quatro impérios,
espera-se algo que não vá “para onde vai toda a idade”, isto é, algo que seja
fora do tempo, que seja o império que não mais possa ser destruído. […]
Depois de tratar das diversas
metamorfoses e relações do encoberto (os seus símbolos), o poeta passa agora a
outra parte: Os Avisos. Os avisos são lançados por três profetas: o primeiro é
Bandarra, o sapateiro de Trancoso; o segundo, António Vieira; e, finalmente, o
terceiro é um poema a que o poeta apôs discretamente apenas o título Terceiro.
Esse terceiro não identificado é o próprio Pessoa, uma espécie de síntese dos
outros dois profetas do Quinto Império.
É curioso que neste poema não
haja uma profecia, mas antes a expressão de uma angústia e de um desejo. É um
poema feito quase só de interrogações, em que o poeta se dirige diretamente ao
Messias: “quando quererás voltar?”, “Quando é o Rei? Quando é a Hora?”. É como
se, perante a situação dramática de Portugal, o próprio poeta procurasse
interpelar o Messias, recriando a ambiência que suscitasse o seu regresso.
Passados os avisos proféticos, o poeta descreve Os Tempos, isto é, os cinco
tempos, ciclos ou momentos desde o encobrimento de D. Sebastião ou de Portugal.
Assim, começam os tempos com Noite, a noite que é a escuridão resultante desse
mesmo encobrimento. Segue-se a Tormenta e, depois, a Calma. E começa o novo
ciclo em Antemanhã, que não é uma aurora esplendorosa, mas com Nevoeiro, o
último tempo. Pessoa tinha a consciência nítida do estado em que se encontrava
Portugal, quando comparada essa triste realidade que era com aquela que ele
antevia e sonhava. Este poema com que fecha a Mensagem deixa bem patente, e em
simultâneo, a sua consciência aguda do presente e a esperança num despertar da
alma portuguesa. Este despertar só podia acontecer com o nevoeiro porque é no
meio dele que a lenda diz que virá o Rei. O poeta descreve aí a ambiência que
se vive hoje em Portugal (“Portugal a entristecer – / Brilho sem luz e sem
arder”), em que “Ninguém sabe que coisa quer. / Ninguém conhece que alma tem, /
Nem o que é mal nem o que é bem.”; é este clima em que “Tudo é incerto e
derradeiro. / Tudo é disperso, nada é inteiro.” que o leva a dizer: “Ó
Portugal, hoje és nevoeiro…” Chegado o nevoeiro, confirmada a lenda, “É a
Hora!”, assim termina o poema, respondendo à pergunta lançada atrás, no poema
titulado Terceiro.
SINDE, Pedro, “Prólogo” in PESSOA, Fernando, 2010. Mensagem.
Porto: Porto Edito
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